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Eu
não sou eu nem sou o outro,
Filho único, infância solitária e conturbada, a perda da mãe aos 2 anos de idade e um pai ausente fizeram a poesia de Mario de Sá-Carneiro oscilar entre a excentricidade e a busca da perfeição. Teve por único amigo Fernando Pessoa com quem trocou várias cartas. Pessoa tentou compreender o amigo o quanto pôde, mas foi em vão. Nada foi capaz de impedir o ritmo acelerado que levou Sá-Carneiro ao suícidio no dia 26 de abril de 1916. "Personalidade dissociada, corroída pela neurose, agitando-se numa acuidade sensorial levada ao paroxismo, Sá-Carneiro encarna como ninguém as frustrações e os pesadelos de sua terra, dividida entre a nostalgia da glória, do luxo, do cristal e ouro do passado, e a atração pela modernidade, pelas luzes da renovação européia. Tudo nele é angústia pessoal e filtração de angústias coletivas. Nesse sentido, quando mais narcisista se debruça sobre si mesmo, dilacerando entre o fascínio a repugnância, mais ainda - e sem que jamais o saiba - traduz o fatos de Portugal." Epígrafe A
sala do castelo é deserta e espelhada. Mário de Sá-Carneiro
"Sá-Carneiro não teve biografia: teve só génio. O que disse foi
o que viveu." |