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Esse
seria o último poema escrito por Alfonsina Storni antes de atirar-se
ao mar. O mesmo mar que tantas vezes esteve presente na poesia dela.
Alfonsina Storni nasceu em 29 de maio de 1892, em Sala Capriasca,
Suíça. Mas sua vida seria na Argentina para onde sua família imigrou
em 1896. "Ela escrevia com a intuição. Os poemas vinham à sua mente
"prontos na forma e no conteúdo. Quase em transe ela escrevia a
maioria dos sonetos em poucos minutos, a lápis, em um lugar público,
um veículo em movimento, ou em seu leito, acordando a toda hora"-
ainda que depois gastasse meses em revisões. Seus livros foram escritos
aos poucos, entre tarefas esmagadoras que a impediram de "serenar-me,
completar minha cultura, fazer uma sossegada obra de arte."
Alfonsina Storni Levou
uma vida de privação e solidão. Começou cedo a trabalhar. Foi caixa,
balconista, atriz e professora, precisava sustentar a si e ao único
filho que teve, Alejandro. Com a publicação de seus livros alcançou
alguma estabilidade, ainda que financeira, emocionalmente suas angústias
apropriavam-se de corpo e mente. Frequentou rodas literárias, recebeu
um importante prêmio, fez conferências, teve oito livros publicados.
Andou pelo mundo e voltou para casa. Um câncer no seio, decepções,
o suicídio de seu melhor amigo, o escritor Horacio Quiroga levaram
Alfonsina de encontro ao mar ou de volta a ele, presença constante
em sua vida. Sereno, a espera, acolheu-a definitivamente em outubro
de 1938. Seu corpo seria encontrado no dia 25 de outubro de 1938
na praia de La Perla, onde hoje há um monumento em sua homenagem.
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