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Peço perdão às crianças por dedicar este livro a uma pessoa grande. Tenho uma desculpa séria: essa pessoa grande é o melhor amigo que possuo no mundo. Tenho uma outra desculpa: essa pessoa grande é capaz de compreender todas as coisas, até mesmo os livros de criança. Tenho ainda uma terceira: essa pessoa grande mora na França, onde tem fome e frio. Ela precisa de consolo. Se todas essas desculpas não bastam, eu dedico então esse livro à criança que essa pessoa grande já foi. Todas as pessoas grandes foram um dia crianças. (Mas poucas se lembram disso). Corrijo, portanto, a dedicatória:
Léon
Werth, ensaísta e novelista francês encontrou-se com
Saint-Exupery no ano de 1931. Tornaram-se amigos. Eram opostos.
Werth era vinte e dois anos mais velho que o amigo, autor de vários
livros, tendo sua escrita um estilo surrealista. Nada
mais diferente e nada que impedisse essa amizade. Saint Exupery
dedicou-lhe dois livros (Carta a um Refém, O príncipe
pequeno) e consultou Werth em mais três. Enquanto escrevia
"O pequeno príncipe", em New York, Saint-Exupery
pensava nos amigos e suas privações por causa da guerra.
Teria dito na ocasião que diante da impossibilidade de retirar
os amigos da Europa em guerra, preferia juntar-se a eles e assim
o fez.
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